A cantora Naiara Azevedo, 35, compartilhou recentemente sua experiência com a menopausa precoce, diagnosticada aos 28 anos. Em um depoimento, a sertaneja contou que os primeiros sinais surgiram com um calor intenso e inexplicável, como se o pescoço estivesse “pegando fogo”. À medida que os sintomas se intensificaram, ela também enfrentou insônia, ganho de peso rápido e alterações de humor, além de ressecamento da pele e vaginal.
“Parecia que estava tudo descompensado e acontecia ao mesmo tempo. Fui indicada a um ginecologista que depois de fazer uma investigação me diagnosticou com menopausa precoce”, revelou. Segundo a artista, casos semelhantes foram encontrados em sua família, tanto no lado materno quanto paterno.
A menopausa precoce tem afetado um número crescente de mulheres antes dos 50 anos. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), esse quadro atinge uma em cada 100 mulheres antes dos 40 anos e uma em cada 1.000 antes dos 30 anos. Esse avanço é preocupante, já que a condição traz diversas implicações para a saúde, além de, muitas vezes, dificultar o sonho de mulheres que querem engravidar mais tarde.
Entenda a menopausa precoce
A menopausa precoce tem a mesma definição da menopausa comum: é caracterizada pela redução da função ovariana e, consequentemente, pela queda da produção de estrógeno. Segundo a endocrinologista da Atma Soma, Alessandra Rascovski, o que diferencia a menopausa comum em relação à precoce é somente o corte de idade. O sintomas também são semelhantes.
“Além da interrupção da menstruação, incluem-se ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, diminuição da libido, dor nas articulações, cansaço muscular, irritabilidade, falhas na memória, ansiedade, entre outros”, conta a especialista. Contudo, ela lembra que existem diferenças entre a menopausa precoce e prematura.
“De forma respectiva, uma acontece abaixo dos 45 anos, enquanto a outra é considerada quando ocorre antes dos 40 anos”, explica a endocrinologista, que relata um caso vivido em seu consultório. “Já tive uma paciente entrando na menopausa prematura com 28 anos”. Segundo a profissional, esses são casos em que a reposição hormonal é mais do que indicada, pois seus reflexos serão mais duradouros, principalmente ao levar em consideração que hoje a expectativa de vida é mais alta.
Diagnosticar a menopausa precoce
Apesar de existir a crença de que quem menstrua mais jovem acaba entrando na menopausa mais cedo, estudos mostram que a idade da menarca em relação à menopausa é consideravelmente menos relevante.
Existem vários fatores que influenciam no desenvolvimento da menopausa precoce, como doenças autoimunes, tratamentos contra o câncer e remoção cirúrgica dos ovários. No entanto, algumas questões externas como maus hábitos de vida também podem contribuir para o desencadeamento da condição. Além disso, fatores hereditários podem influenciar na menopausa precoce.
“Se a mãe teve uma menopausa precoce ou tardia, há uma maior probabilidade de a filha seguir o mesmo padrão”, destaca a médica. Ela ressalta ainda que a genética desempenha um papel significativo na longevidade da função ovariana, que está diretamente ligada ao que é herdado da mãe.
Impacto da menopausa na fertilidade
De acordo com a endocrinologista, muitas mulheres passam a se preocupar com a menopausa somente quando os sintomas batem à porta. “Muitas não se atentam para a questão hormonal e, ao colocarem em prática o projeto de ter filhos, acabam se surpreendendo com a dificuldade gerada pela queda na produção de óvulos”.
Por isso, a endocrinologista ressalta a importância de monitorar os hormônios desde cedo. “Flutuações hormonais podem comprometer o sonho da maternidade, além dos reflexos que a própria menopausa pode causar, como o impacto na saúde dos ossos e aumento do risco de doenças cardiovasculares”.
Ao detectar precocemente a queda da atividade ovariana, os médicos recomendam o congelamento de óvulos. Entretanto, essa decisão não deve ser baseada exclusivamente no hormônio antimulleriano. “É essencial considerar outros fatores, como a idade da paciente, a qualidade dos óvulos e o contexto clínico individual. Um AMH baixo não significa infertilidade imediata, assim como um AMH alto não garante fertilidade”, esclarece Rascovski.
Já o FSH (hormônio folículo-estimulante) pode apresentar níveis elevados durante a fase folicular. “Isso significa que um resultado isolado não é suficiente para confirmar o diagnóstico de menopausa”. Usualmente, a determinação clínica desse período é baseada na ausência de menstruação por 12 meses consecutivos (amenorreia). No entanto, muitas mulheres utilizam o DIU hormonal, “o que pode suprimir o sangramento menstrual e dificultar a avaliação apenas com base no fluxo menstrual”, avalia Alessandra.
A interpretação dos exames hormonais durante a transição menopausal pode ser desafiadora, especialmente devido às variações significativas que ocorrem ao longo do ciclo menstrual. “Por isso, é fundamental que sejam avaliados os resultados, histórico clínico e familiar, e sintomas apresentados pela paciente, garantindo um acompanhamento mais preciso e individualizado”, conclui Alessandra Rascovski.
