O vício em apostas é um problema que tem é alvo de muitas discussões no momento atual. E, pela primeira vez, o Levantamento de Álcool e Drogas (Lenad), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) a pedido da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), incluiu dados sobre essa questão.
O estudo entrevistou 16 mil pessoas a partir de 14 anos e concluiu que os adolescentes são o grupo mais suscetível quando o tema são as apostas. Segundo a pesquisa, 55,1% dos apostadores na faixa etária entre 14 e 17 anos estão na zona de risco para desenvolver um comportamento de vício.
Danielle Admoni, psiquiatra geral e psiquiatra da infância e adolescência, explica que as bets e apostas online ativam os mecanismos cerebrais envolvidos em comportamento de dependência. “Se entrar nessas práticas precocemente, o adolescente corre um risco muito maior de desenvolver um transtorno relacionado ao jogo”, diz.
Mas quais são os riscos de entrar no mundo das apostas, ainda mais tão cedo? E como orientar seus filhos sobre isso? Confira dicas a seguir:
Riscos das apostas e como orientar os filhos
Os adolescentes ainda têm o cérebro em desenvolvimento e, por isso mesmo, são mais suscetíveis a entrarem em um comportamento impulsivo e sentirem mais dificuldade em parar de jogar. Assim, podem acabar tendo gastos excessivos e até se endividando ao tentar recuperar o prejuízo. Isso pode prejudicar muito o futuro desses jovens.
Além disso, o vício pode levar a alterações no humor, a prejuízos na autoestima e isolamento social. E, para impedir todos esses problemas, o melhor é sempre conversar bastante com os filhos e conscientizá-los sobre o vício em apostas.
Os pais devem explicar sobre os riscos desses jogos mesmo antes que os filhos comecem a querer jogar. Também é importante explicar que muitos desses sites são ilegais e podem ser usados para aplicar golpes como esquemas de pirâmide, roubo de dados ou simplesmente não pagar os prêmios.
Danielle Admoni orienta ainda que os pais fiquem sempre atentos ao que os filhos estão fazendo na internet. “Se perceber que a criança ou adolescente já está gastando dinheiro nos jogos de aposta ou exibindo sinais de dependência, como não se interessar por outras atividades ou apresentar queda no rendimento escolar, o ideal é procurar uma ajuda profissional de um profissional de saúde mental para lidar com o problema”, afirma a psiquiatra.
Vale lembrar que todos os jogos desse tipo são proibidos para menores de 18 anos, mesmo ainda havendo pessoas dessa idade envolvidas nas apostas.
