Burra. Difícil. Egoísta. Vagabunda. Invejosa. Amarga. Gabriela Prioli decidiu enfrentar esses rótulos de frente em seu novo livro, Inadequadas, que chega às livrarias em 16 de novembro.

A obra parte de uma vasta pesquisa e das próprias vivências da autora. Ela investiga o peso das expectativas sobre as mulheres. E questiona o julgamento constante que elas enfrentam no dia a dia.

O livro é publicado pela editora Companhia das Letras. Já está em pré-venda nas principais plataformas do país.

Foto: Divulgação

A voz interna que nunca se cala

Você já se pegou se questionando depois de dar uma opinião numa reunião? Ou hesitou diante do espelho, escolhendo uma roupa para um compromisso importante?

Essa voz interna que cobra e julga não surge por acaso. Segundo Gabriela Prioli, ela é fruto de uma programação cultural que acompanha as mulheres a vida inteira.

A escolha de ter filhos, ou não, também entra nessa lista de decisões vigiadas. Em cada etapa, parece que existe sempre um jeito “certo” de ser mulher.

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Inadequadas propõe outra pergunta, mais direta: será que essas regras foram criadas justamente para que as mulheres nunca se sintam suficientes?

Estereótipos como espelho da cultura, não da mulher

Muitas mulheres aprenderam a ler esses julgamentos como falhas pessoais. Gabriela Prioli discorda dessa leitura.

Para a autora, rótulos como “difícil” ou “egoísta” não descrevem quem a mulher é. Eles revelam como a sociedade foi estruturada para cobrar dela mais do que qualquer outra pessoa.

O livro convida a leitora a repensar esses adjetivos. Não como verdades sobre si, mas como reflexo de expectativas antigas e, muitas vezes, injustas.

Exercícios práticos para escolhas mais livres

Inadequadas não fica só na teoria. A obra traz exercícios práticos pensados para o dia a dia da leitora.

A proposta é ajudar cada mulher a:

  • Identificar seus próprios pontos fortes.

  • Reconhecer desejos que muitas vezes ficam em segundo plano.

  • Fazer escolhas mais conscientes, sem o peso do julgamento externo.

  • Construir uma vida guiada por autonomia e confiança.

A ideia central é simples, mas poderosa. Trata-se de viver de acordo com o que a mulher realmente quer, e não com o que esperam dela.

O que Gabriela Prioli diz sobre o livro

Prioli diz que não quer julgar escolhas nem impor um novo padrão de comportamento.

“Meu objetivo com Inadequadas não é ocupar o lugar de juiz das escolhas, nem propor um novo modelo de comportamento feminino. O que me interessa é olhar para aquilo que nos formou, para as expectativas que recaem sobre mulheres e homens e para a forma como elas atravessam nossas escolhas. O que desejo é convidar cada mulher a reconhecer a própria história e decidir o que deseja fazer com ela, com mais autonomia, liberdade e confiança”, afirma a autora.